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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Epidemiologia da leucemia linfocítica crônica e leucemia linfocítica crônica familiar

Introdução

A leucemia linfocítica crônica (LLC) é uma neoplasia do sistema linfo-hematopoético com características epidemiológicas peculiares que a distinguem de outras leucemias em muitos aspectos. É a leucemia mais freqüente nos países ocidentais, ocupando 22% a 30% de todas as leucemias do adulto, sendo extremamente rara nos países asiáticos.1

Estudo epidemiológico na LLC é particularmente dificultado devido a características inerentes à própria doença. Muitos pacientes são assintomáticos ou têm evolução clínica indolente e não requerem tratamento ou internação. Assim, supõe-se que os dados relatados possam estar subestimados.

A etiologia da LLC é ainda desconhecida; alguns fatores ambientais são aventados, porém as associações não são consistentes. A favor da causa genética são as observações de famílias com dois ou mais casos de LLC (LLC familiar) e as constatações de freqüência aumentada de outras doenças linfoproliferativas crônicas (DLPC) e outros tumores sólidos nos parentes de primeiro e segundo grau desses pacientes.



Incidência da LLC

A incidência da LLC varia grandemente de acordo com a origem étnica: maior número de casos são registrados na Austrália, EUA, Irlanda e Itália.2

Nos EUA, de acordo com dados obtidos pelo registro de SEER (Surveilance, Epidemiology, and End Results), a incidência estimada é de 1%-2% na população geral ou 3,7 casos/100.000/ano, compreendendo 25% a 30% das leucemias, enquanto na Dinamarca parece ser maior (35%-40%). Já no Japão, China e outros países asiáticos é de apenas 3% a 5%, uma incidência 26 vezes menor que no Canadá, por exemplo. Além disso, estudos realizados nos EUA mostram que índios americanos, chineses, japoneses e filipinos residentes naquele país também apresentam baixa incidência de LLC.1,2,3 Mesmo dentro de um país, podem-se notar diferenças regionais; por exemplo, um levantamento realizado pelo Sistema de Saúde de Arkansas relata incidência de 37,6% das leucemias, maior que a média nos EUA. Divergências podem ser notadas também de acordo com a fonte de informação onde foram coletados os dados.

A LLC é uma doença predominantemente do idoso; a idade mediana ao diagnóstico é de 64-70 anos, sendo rara a sua ocorrência em indivíduos <30 anos. Um aumento exponencial na incidência da LLC é observado com o avançar da idade, para ambos os sexos, sendo a incidência em indivíduos >65 anos de 20,6 casos/100.000/ano enquanto em <65 anos é de apenas 1,3 casos /100.000. Há um predomínio no sexo masculino, apesar de haver variação de acordo com o país. Nos EUA, a incidência ajustada à idade mostra uma relação M:F de 1,9:1.2 Resultado similar temos observado entre os pacientes em acompanhamento na Unifesp. Além disso, nos EUA, a LLC é mais freqüente na raça branca (3,7/100.000) em comparação à negra (2,5/100.000).2 Dentre as leucemias, a LLC é a que apresenta maiores índices de sobrevida. Nos EUA, dados obtidos do SEER, referentes ao período de 1992 a 2000, mostram uma sobrevida geral de 73,5%, sendo maior nos indivíduos mais jovens (83% entre os <65anos vs 68% entre os >65 anos).2 Não houve diferença na sobrevida entre os sexos, mas foi menor na raça negra. Estudos de Diehl et al4 também mostram menor sobrevida em indivíduos com idade muito avançada – 38,1% em ³ 80 anos. Nas diferentes faixas etárias, a sobrevida foi 59,9% em <40 anos; 69,9% na faixa de 40 -59 anos; 61,6% na faixa de 60 -79 anos). No entanto, a sobrevida geral encontrada por esse grupo foi muito baixa (48,2% em cinco anos e 22,5% em dez anos), contrastando com os demais.

Dados epidemiológicos da LLC na população brasileira, envolvendo razoável casuística, não foram encontrados na literatura. Há uma citação no trabalho de Redaelli et al, referindo uma incidência em torno de 10%.2

Estudos epidemiológicos da LLC são mais difíceis de se realizarem devido a aspectos inerentes à própria doença, além de métodos utilizados. Muitos pacientes são assintomáticos; o diagnóstico é realizado através de citometria de fluxo em material de sangue periférico e mais de 65% dos casos são acompanhados apenas ambulatorialmente, a maioria não requerendo tratamentos ou internações. Acredita-se, assim, que os dados relatados na literatura possam estar subestimados.5

Etiologia da LLC

A etiologia é desconhecida. Poucas informações existem referentes a fatores ambientais que possam ser atribuídos como causa da LLC e geralmente eles são considerados de fraca associação. Assim, há observações de maior mortalidade entre profissionais que têm contato com borracha e solventes e derivados de petróleo. Há relatos de incidência aumentada entre tabagistas e um maior risco entre fazendeiros de algumas áreas. A radiação ionizante não mostrou associação com a incidência de LLC.1 Estudos tentando relacionar com algum agente viral também foram infrutíferos até o momento.

Fatores genéticos hereditários têm sido sugeridos para a etiologia da LLC, diante das observações de maior prevalência da doença no Ocidente e menor no Oriente, maior freqüência de LLC em famílias com maior risco para câncer e de casos familiares na LLC serem mais freqüentes em comparação a outros tipos de leucemia e DLPC.6,7 Tem-se descrito maior ocorrência de LLC entre parentes de primeiro grau e entre irmãos gêmeos. Além disso, constata-se mais comumente consangüinidade nos casos de LLC familiar. A patogênese, no entanto, ainda não está esclarecida.



LLC familiar

Considera-se LLC familiar quando pelo menos dois membros de uma mesma família apresentam a doença. Estima-se que a freqüência desta doença em parentes seja de cerca de 7%, corroborando a crescente evidência de fatores hereditários.

A predisposição genética vem sendo observada neste grupo de pacientes e um modelo genético sugerido seria uma ação de gene(s) dominante(s) com penetrância incompleta e com efeitos pleiotrópicos, uma vez que maior freqüência de outras DLPC é observada entre os parentes de pacientes com LLC.8,9

Yuille et al,9 em estudo sistemático, avaliaram parentes de primeiro e segundo grau de 268 pacientes com LLC acompanhados no Royal Marsden Hospital. Encontraram 33 casos (13%) com história familiar de DLPC, sendo que 15 (6%) eram de LLC. Realizaram revisão de literatura e analisaram 81 famílias de LLC, das quais, 64 tinham dois casos de LLC na família: 38 eram pares de irmãos e 16 eram pais e filhos. Havia 6 pares de irmãos gêmeos. Os autores calcularam que o risco de um familiar desenvolver uma DLPC era de 2,28 a 5,69, e combinando os estudos era de 2,67 a 3,36 com intervalo de confiança (CI) de 95%. Além disso, também observaram ocorrência de outras DLPC em cinco famílias.

Em outro estudo realizado no Instituto Nacional de Saúde dos EUA, Ishibe et al10 analisaram 28 famílias com pelo menos dois casos de LLC vivos entre os pacientes acompanhados desde 1967. Vinte famílias foram diagnosticadas entre 1990 e 1999. Análise dos 72 pacientes com LLC familiar em comparação aos pacientes esporádicos mostrou dados interessantes. A idade ao diagnóstico era menor no grupo de pacientes com LLC familiar (57,9 ± 12 anos) em comparação aos casos esporádicos (70,1 ± 11,9 anos) e 31% dos pacientes tinham idade inferior a 50 anos enquanto menos de 6% dos casos esporádicos eram dessa faixa etária. Outros estudos mostram também essa tendência e têm-se referido a este fato como antecipação da doença.11,12 Não houve diferença na relação masculino: feminino entre os pacientes com LLC familiar em comparação aos casos esporádicos.

Três padrões de LLC familiar foram observados. O primeiro grupo, o mais comum, era de 12 famílias (42,8%) com ocorrência apenas entre irmãos que eram 36% de todos os irmãos de pacientes deste grupo. Em dez famílias havia somente um par de irmãos, e em duas havia múltiplos casos. Além disso, em seis famílias os pacientes eram todos do mesmo sexo: somente feminino em duas famílias e somente masculino em quatro. A média de idade ao diagnóstico nesta categoria foi 61,5 (±11,9) anos.

O segundo grupo era constituído por nove famílias (32%) com pacientes pertencentes a múltiplas gerações, afetando apenas pais e filhos. Houve uma família em que os pacientes pertenciam a três gerações sucessivas, e em seis famílias duas gerações foram acometidas. Achado interessante foi a maior incidência no sexo feminino, ao contrário da LLC esporádica. A média de idade dos pais ao diagnóstico foi 70,0 (±16,9) anos, e dos filhos, 50,5 (±10,3) anos.

O terceiro grupo de LLC familiar (sete famílias, 25%) era constituído por pacientes com combinação dos dois padrões anteriores de parentesco. Nesta categoria, a idade média ao diagnóstico foi 56,5 (± 9,0) anos.

Outra observação encontrada foi a ocorrência de tumores sólidos em cerca de 19% dos casos de LLC familiar, mesmo naqueles sem tratamento prévio, e os mais freqüentes foram os tumores da bexiga, colon, pulmão e próstata, seguidos de leucemia agudas (LMA, LLA) e linfomas não-Hodgkin (LNH). Em alguns casos, o tumor sólido precedeu o diagnóstico da LLC.

Um outro estudo realizado através da Swedish Family-Cancer Database8 investigou câncer em 14.336 parentes de primeiro grau de 5.918 casos de LLC diagnosticados durante o período de 1958 a 1998 e calcularam o risco relativo de desenvolver LLC de 7,53 com CI de 95%. Para o desenvolvimento de LNHL, o risco relativo foi 1,45, e para o linfoma de Hodgkin, 2,36. Além disso, o risco era similar para pais, irmãos e filhos de pacientes e para ambos os sexos; não houve influência da idade do paciente ao diagnóstico. Neste estudo, os autores não constataram o fenômeno de antecipação.

Proliferação monoclonal de linfócitos B CD5 + na LLC familiar

Com a utilização de técnicas de citometria de fluxo com três ou mais cores, sabe-se hoje que aproximadamente 3,5% de indivíduos saudáveis podem apresentar hiperplasia monoclonal de células B CD5 positivas (PMB), ou seja, com o mesmo fenótipo de células da LLC.13,14,15 Investigações de PMB entre familiares de LLC têm revelado maior freqüência de portadores dessa proliferação em comparação à população geral. Rawstron et al encontraram incidência de 13,5% entre os 59 indivíduos sadios parentes de primeiro grau de pacientes com LLC14,15 e estimaram um risco sete vezes maior que a população geral. Outro estudo encontrou uma incidência de PMB em 18% dos 33 parentes de LLC familiar.16

Por outro lado, nos indivíduos com PMB são detectadas algumas alterações como a del13q14 em aproximadamente 50% dos casos, restrição do gene VH semelhante à encontrada na LLC, homogeneidade clonal em relação ao gene IgVH na maioria dos casos, progressão para diversos tipos de DLPC, principalmente para LLC.13,14

Fatores genéticos na LLC familiar

Ainda não se conhecem genes específicos relacionados à susceptibilidade da LLC. HLA Cw6 mostrou alguma evidência de associação, porém apenas em caucasianos e não em pacientes negros. Gene da ataxia telengectágica (ATM) e vários lócus de HLA foram estudados e afastada a sua implicação na LLC familiar.17,18,19 Um estudo, no entanto, mostra forte evidência de implicação do HLA DRB1 11 que foi investigado em 56 indivíduos parentes de vinte famílias com pelo menos dois casos de LLC.20 Onze famílias eram italianas e nove francesas. O HLA DRB1 11 foi detectado em pelo menos um membro de todas as famílias italianas e em sete das nove famílias francesas. Esse achado é significantemente alto considerando-se que a probabilidade de ocorrência para a população italiana é de <0,009 e, na população francesa, de 0,098.

Estudos citogenéticos e moleculares têm sido realizados e alguns casos têm sustentação para o envolvimento dos cromossomos 11 e 13q14, e os dados ainda são discordantes em relação a outras alterações cromossômicas.15



Conclusões

A LLC é a leucemia mais freqüente nos países ocidentais com características epidemiológicas peculiares. Acomete mais indivíduos idosos e é muito rara entre os orientais. Até o momento não se demonstraram fatores ambientais (contato com produtos químicos, radiação ionizante ou agentes virais) ou genéticos implicados na sua etiopatogenia.

A LLC familiar é assim denominada quando, pelo menos, dois membros de uma família apresentam LLC. O risco relativo de um parente vir a apresentar LLC é cerca de 7 vezes em comparação à população geral e o diagnóstico nestes pacientes parece ocorrer em idade mais precoce. É mais freqüente em parentes de primeiro grau (irmãos, filhos), podendo, porém, afetar parentes mais distantes. Os familiares de pacientes com LLC apresentam maior freqüência de proliferação monoclonal de linfócitos B CD5+ (13,5 a 18%) e parece que o HLADR B1.11 está implicado na LLC familiar, pelo menos em algumas populações.



Recomendações

1. Etiologia da LLC é desconhecida, porém atenção maior deve se dada a fatores genéticos .

2. Os familiares de pacientes com LLC devem ser vistos com atenção para a possibilidade de uma segunda neoplasia, principalmente LLC e outras DLPC.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-84842005000400002

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Leucemia: Fisiopatologia - e Etiologia

As leucemias são distúrbios malignos do sistema hematopoiético, que envolvem a medula óssea e os gânglios linfáticos. São caracterizadas pela incontrolada proliferação dos leucócitos e seus percursores. Com raras excepções, a medula óssea é envolvida, inicialmente, por infrequentes manifestações de outros órgãos hematopoiéticos, levando ao aumento de volume desses órgãos.

A proliferação de qualquer tipo de célula interfere, muitas vezes, com a produção normal de outras células hematopoiéticas, levando ao desenvolvimento de células imaturas, anemia, etc. A imaturidade dos glóbulos brancos leva à diminuição da imunocompetência, com aumento da susceptibilidade às infecções. A causa da leucemia é desconhecida.

Embora não tenha sido ainda identificada a etiologia que conduz ao desenvolvimento da leucemia aguda, na maioria dos doentes, já se descobriram algumas relações de predisposição. As pessoas com aberrações cromossomáticas específicas, como o síndroma de Down, na neurofibromatose de Recklinghausen e na anemia de Fanconi, têm maior possibilidade de desenvolver a leucemia aguda. A exposição crónica a produtos químicos, como o benzeno, fármacos que provocam anemia aplástica e radiações, têm sido associados a uma maior incidência da doença.

As leucemias são classificadas como agudas ou crónicas, segundo a sua evolução clínica, e são ainda subdivididas em relação ao tipo de células que prolifera. As leucemias agudas envolvem células imaturas, e são classificadas segundo a célula predominante na medula óssea. Não têm tratamento possível, conduzindo à morte em menos de seis meses. As células neoplásicas são geralmente blásticas (anaplásticas). As leucemias crónicas podem ser linfoblásticas, como o caso da leucemia linfoblástica crónica ou leucemia mielóide crónica.

Diagnóstico e características da doença:
Quando a leucemia está no início, o seu diagnóstico é difícil, uma vez que os sintomas desta doença são semelhantes aos de outras doenças. Entre os principais sintomas temos:

- cansaço;

- falta de apetite;

- febre intermitente.

Á medida que a doença avança, surge a dor nos ossos, como resultado da multiplicação das células leucémicas no sistema ósseo. Quando proliferam, as células imaturas invadem o espaço que antes era ocupado por células normais, impedindo assim a produção destas células no sangue.

A redução da quantidade destas células no sangue (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas) é responsável por outras manifestações clínicas que acompanham a leucemia, entre as quais, temos a diminuição do número de glóbulos vermelhos. Se esta for acompanhada por uma perda de sangue por hemorragia, então a quantidade de glóbulos vermelhos, sofre uma diminuição drástica. Tal situação conduz à anemia, cujos sintomas são:

- palidez,

- cansaço;

- pouca tolerância ao exercício.

As plaquetas, responsáveis pela coagulação do sangue, também são afectadas, pela proliferação das células imaturas. Se o número de plaquetas diminuir, podem surgir pequenas manchas na pele e hematomas, como consequência de hemorragias causadas por golpes leves. Podem também surgir hemorragias através do nariz, boca e recto.

Se o número de plaquetas diminuir de forma severa poderá ocorrer hemorragias mais graves ao nível do cérebro.

A suspeita de diagnóstico é reforçada pelo exame fisico, que pode alertar para a possibilidade da doença quando o doente apresenta palidez, febre e presença de pequenas manchas avermelhadas. O hemograma pode revelar anemia e a contagem leucocitária pode estar baixa, normal ou elevada. Porém, o diagnóstico final baseia-se no exame de medula óssea.

Para Diagnóstico
1. Mielograma:
É um exame de grande importância para o diagnóstico e para a avaliação da resposta ao tratamento, indicando se não são mais encontradas células leucémicas na medula óssea (remissão completa medular). Esse exame é feito sob anestesia local e consiste na aspiração da medula óssea seguida da confecção de esfregaços em lâminas de vidro, para exame ao microscópio. Os locais preferidos para a aspiração são a parte posterior do osso ilíaco (bacia) e o esterno

(pane superior do peito). Durante o tratamento são feitos vários mielogramas.

Para Avaliação
2. Punção lombar:
A medula espinhal é parte do sistema nervoso que tem a forma de cordão e por isso é chamada de cordão espinhal. A medula é forrada pelas meninges (três membranas). Entre as meninges circula um líquido claro. A punção lombar consiste na aspiração do líquor para exame e também é feita para injecção de medicamento com a

finalidade de impedir o aparecimento de células leucémicas no sistema nervoso ou para destruí-las quando existir doença nesse local. É feita na maioria das vezes com anestesia local e poucas vezes com anestesia geral. Nesse último caso, indica-se quando crianças de pouca idade são muito agitadas e não cooperam com o médico.

Tratamento
O tratamento recomendado neste tipo de doenças é a quimioterapia. Neste tipo de tratamento utilizam-se vários medicamentos por forma a destruir as células leucémicas.

Como não se conhece a causa da leucemia, o tratamento tem o objectivo de destruir as células leucémicas. As pesquisas indicam que o tratamento não destrói a totalidade das células leucémicas. As defesas do organismo se encarregariam de destruir as restantes. Não há um medicamento que isoladamente cure a leucemia. O grande progresso para obter sua cura foi conseguido com a associação de medicamentos (poliquimoterapia), controle das complicações infecciosas e hemorrágicas e prevenção ou combate à doença no sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). Para alguns casos é indicado o transplante de medula óssea.

O tratamento é feito em várias fases. A primeira tem a finalidade de atingir a remissão completa, ou um estado de aparente normalidade que se obtém após a poliquimioterapia, uma vez que o principal objectivo consiste na destruição da maior quantidade possível de células leucémicas. Esse resultado é conseguido entre 1 e 2 meses após o inicio do tratamento, quando os exames não evidenciam mais células da doença. Isso ocorre quando os exames de medula óssea e sangue e o exame físico não demonstram qualquer anormalidade.

Entretanto, as pesquisas comprovam que ainda restam no organismo muitas células leucêmicas, o que obriga a continuação do tratamento para não haver recaída. Nas fases seguintes, o tratamento também varia de acordo com o tipo de leucemia (linfóide ou mielóide), podendo durar mais de dois anos nas linfóides e menos de um ano nas mielóides. São três as etapas nesta fase do tratamento: consolidação (tratamento intensivo com substâncias não empregadas anteriormente); reindução (repetição dos medicamentos usados na fase de indução da remissão) e manutenção (o tratamento é mais brando e contínuo por vários meses). A fase de consolidação dura de 2 a 3 semanas, enquanto a fase de manutenção deverá prolongar-se durante os 3 anos de tratamento. Por ser um tratamento mais agressivo, pode ser necessária a internação do paciente por curto período, quando ele apresentar infecção decorrente da queda dos glóbulos brancos.

Na fase de indução da remissão, cuja duração é de 4 a 5 semanas, tenta-se destruir a maioria da quantidade das células malignas. Em certas ocasiões, a remissão é apenas parcial, por esta razão alguns sintomas não desaparecem de todo.

Se se interromper o tratamento, o controle da doença será temporal, e passado uns meses a leucemia, voltará a manifestar-se da mesma forma como havia feito antes de se ter iniciado a quimioterapia. Com o fim de manter a remissão e curar o paciente, deverá continuar-se a medicação durante três anos ineterrompidos, a partir do momento em que se inicia o controle das células da medula óssea.

A fase de consolidação dura de 2 a 3 semanas, enquanto a fase de manutenção deverá prolongar-se durante os 3 anos de tratamento.

Durante as diferentes etapas da quimioterapia, é necessária a realização de exames de sangue e da medula óssea, por forma a se conhecer a evolução da doença e poder ajustar as doses dos medicamentos.

A quimioterapia não destrói selectivamente as células malignas, porque se não também afectava as células normais, como é o caso das células do sistema digestivo, as da raíz do cabelo, as da medula óssea, etc.

http://evunix.uevora.pt/~sinogas/TRABALHOS/2001/Imuno01_desord_linfo.htm

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MÉTODOS DE TRATAMENTO

LEUCEMIA: MÉTODOS DE TRATAMENTO
O médico é a pessoa indicada para descrever as possíveis escolhas terapêuticas. Poderá ainda falar consigo sobre os resultados esperados. Dependendo do tipo e extensão da doença, a pessoa pode fazer quimioterapia, imunoterapia, radioterapia, transplante de medula óssea ou a associação de diferentes tratamentos.

Uma pessoa com leucemia aguda precisa de ser tratada imediatamente. O objectivo do tratamento é a remissão do tumor. Depois, quando os sinais e sintomas desaparecerem, podem ser administrados tratamentos adicionais, para prevenir uma recidiva. Este tipo de tratamento é chamado de terapêutica de manutenção. Muitas pessoas com leucemia aguda podem ser curadas.

Uma leucemia crónica que não apresente sintomas, pode não necessitar de tratamento imediato. Para algumas pessoas com leucemia linfocítica crónica, o médico pode sugerir a vigilância monitorizada . A equipa médica irá monitorizar a saúde da pessoa, para que o tratamento possa ter início logo que ocorram sintomas, ou se estes piorarem. Quando é necessário tratamento para a leucemia crónica, muitas vezes consegue-se controlar a doença e seus sintomas. No entanto, a leucemia crónica raramente pode ser curada. Os doentes podem fazer terapêutica de manutenção, para ajudar a manter o tumor em remissão.

Poderá, ainda, querer falar com o médico sobre a possibilidade de participar num ensaio clínico, ou seja, num estudo de investigação de novos métodos de tratamento. No tópico "Investigação Sobre o Cancro”, poderá encontrar mais informação sobre os ensaios clínicos actualmente a decorrer.

Adicionalmente ao tratamento da leucemia, podem ser administrados medicamentos para controlar a dor e outros sintomas do cancro, bem como para aliviar os possíveis efeitos secundários do tratamento. Estes tratamentos são designados como tratamentos de suporte, para controlo dos sintomas ou cuidados paliativos.

QUIMIOTERAPIA
A maioria das pessoas com leucemia faz quimioterapia A quimioterapia consiste na utilização de fármacos, para matar as células cancerígenas. Dependendo do tipo de leucemia, pode ser administrado apenas um fármaco, ou uma associação de dois ou mais fármacos.

As pessoas com leucemia, podem fazer quimioterapia de várias maneiras:

Administração oral: em comprimidos.
Administração endovenosa: através de uma injecção, dada directamente numa veia: IV ou endovenosa.
Através de um cateter (um tubo fino e flexível): colocado numa grande veia, geralmente na zona superior do peito; o catéter que fica colocado, é útil para doentes que necessitem de muitos tratamentos IV. O profissional de saúde injecta os fármacos através do catéter. Este método evita a necessidade de muitas injecções, que podem causar desconforto e danificar as veias e a pele da pessoa.
Através de uma injecção administrada directamente no líquido cefalo-raquidiano. Se forem detectadas células tumorais neste líquido, o médico pode querer fazer quimioterapia intra-tecal; neste caso, os fármacos são administrados directamente no líquido cefalo-raquidiano. Este método é utilizado porque, muitas vezes, os fármacos administrados por injecção IV ou per os (pela boca), não chegam às células do cérebro nem da espinal medula (uma rede de vasos sanguíneos, filtra o sangue que vai para o cérebro e para a espinal medula; esta barreira impede que os fármacos cheguem ao cérebro).
Estes fármacos podem ser administrados de duas formas:
Injecção na coluna: o médico injecta os fármacos na parte inferior da coluna vertebral.
Reservatório de Ommaya: as crianças, e alguns adultos, recebem a quimioterapia intratecal através de um catéter especial, chamado reservatório de Ommaya. O médico coloca o reservatório sob o couro cabeludo, e injecta os fármacos anti-cancerígenos no catéter. Este método evita o desconforto das injecções na coluna vertebral.
A quimioterapia é, geralmente, administrada por ciclos de tratamento, repetidos de acordo com uma regularidade específica, de situação para situação. O tratamento pode ser feito durante um ou mais dias; existe, depois, um período de descanso, para recuperação, que pode ser de vários dias ou mesmo semanas, antes de fazer a próxima sessão de tratamento.

Algumas pessoas com leucemia, fazem a quimioterapia em regime de ambulatório (no hospital, no consultório do médico ou em casa), ou seja, não ficam internadas no hospital. No entanto, pode ser necessário ficar no hospital, em regime de internamento, enquanto fazem a quimioterapia.

Algumas pessoas com leucemia mielóide crónica, fazem um novo tipo de tratamento, chamado tratamento direccionado. Este tratamento, bloqueia a produção de células tumorais, e não atinge as células normais.

IMUNOTERAPIA
Nalguns tipos de leucemia, a pessoa faz imunoterapia. Este tipo de tratamento melhora as defesas naturais do organismo contra o cancro. O tratamento é administrado por injecção numa veia.

Algumas pessoas com leucemia linfocítica crónica, recebem imunoterapia, utilizando anticorpos monoclonais. Estas substâncias ligam-se às células cancerígenas, permitindo que o sistema imunitário elimine as células tumorais, no sangue e na medula óssea.

Por outro lado, alguns doentes com leucemia mielóide crónica recebem imunoterapia com uma substância natural, chamada interferão. Esta substância pode desacelerar o crescimento das células cancerígenas.

Antes de fazer quimioterapia e imunoterapia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

Para que preciso deste tratamento?
Que fármacos me vão ser administrados?
Deverei ir ao dentista, antes de iniciar o tratamento?
Que me fará o tratamento?
Terei de ficar no hospital?
Como saberemos que o tratamento está a funcionar?
Durante quanto tempo farei este tratamento?
Terei efeitos secundários durante o tratamento? Quanto tempo irão durar? Que poderei fazer em relação a esses efeitos?
Existem efeitos a longo prazo causados pelos fármacos?
Com que frequência terei de fazer exames médicos?
RADIOTERAPIA
A radioterapia usa raios de elevada energia, para matar as células cancerígenas. Para a maioria dos doentes, uma máquina dirige a radiação para o baço, cérebro ou para outras partes do corpo, onde se tenham depositado células tumorais. Alguns doentes fazem radiação dirigida a todo o corpo; a radiação total ao corpo é, geralmente, realizada antes de um transplante de medula óssea. A radioterapia é sempre administrada num hospital ou numa clínica.

Antes de iniciar a radioterapia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

Porque é que preciso deste tratamento?
Quando têm início os tratamentos? Com que frequência serão administrados? Quando terminam?
Como me vou sentir durante o tratamento? Terei efeitos secundários? Quanto tempo irão durar? O que poderei fazer, em relação a esses efeitos?
Existem efeitos a longo prazo causados pela imunoterapia?
Que poderei fazer para cuidar de mim próprio, durante o tratamento?
Como saberemos se o tratamento está a funcionar?
Poderei continuar com as minhas actividades normais, durante o tratamento?
Com que frequência terei de fazer exames médicos?
TRANSPLANTE DE CÉLULAS ESTAMINAIS
Algumas pessoas com leucemia, fazem transplante de células estaminais. Um transplante de células estaminais, permite o tratamento com doses mais elevadas de fármacos, de radiação ou de ambos. As doses elevadas, destroem tanto as células cancerígenas como os glóbulos sanguíneos normais da medula óssea. Mais tarde, a pessoa recebe células estaminais saudáveis, através de um catéter que é colocado numa grande veia, no pescoço ou na zona do peito. A partir das células estaminais transplantadas, desenvolvem-se novos glóbulos sanguíneos.

Existem vários tipos de transplantes de células estaminais:

Transplante de medula óssea: as células estaminais provêm da medula óssea.
Transplante de células estaminais periféricas: as células estaminais provêm do sangue periférico.
Transplante do sangue do cordão umbilical: para uma criança sem dador, o médico pode usar as células estaminais do sangue do cordão umbilical. O sangue do cordão umbilical provém de um bebé recém-nascido. Por vezes, o sangue do cordão umbilical é congelado, para poder ser usado mais tarde.
As células estaminais podem ser da própria pessoa, ou de um dador:
Auto-transplante: este tipo de transplante usa células estaminais da própria pessoa. As células estaminais são removidas, e as restantes células podem ser tratadas, para matar quaisquer células cancerígenas presentes. As células estaminais são congeladas e armazenadas. Depois de a pessoa receber doses elevadas de quimioterapia ou radioterapia, as células estaminais armazenadas são descongeladas e "devolvidas" à pessoa.
Transplante alogénico: este tipo de transplante, usa células estaminais saudáveis de um dador. O dador pode ser um irmão, uma irmã, um dos progenitores ou um dador não familiar, mas compatível. O médico faz análises sanguíneas específicas, para se assegurar que as células do dador são compatíveis com as da pessoa.
Transplante singénico: este tipo de transplante, usa células estaminais do gémeo (idêntico) saudável.
Depois de um transplante de células estaminais, regra geral a pessoa fica internada, no hospital, durante várias semanas. Nestes casos, a equipa médica necessita de proteger a pessoa de qualquer infecção, até que as células estaminais comecem a produzir glóbulos brancos suficientes.

Antes de fazer um transplante de células estaminais, pode querer colocar algumas questões ao médico:

Que tipo de transplante de células estaminais vou fazer? Se precisar de um dador, como vamos encontrar um?
Durante quanto tempo vou ter que ficar no hospital? De que cuidados vou precisar, quando sair do hospital?
Como saberemos se o tratamento está a funcionar?
Quais são os riscos e os efeitos secundários? Que podemos fazer acerca deles?
Que alterações terei que fazer nas minhas actividades normais?
Qual é a minha probabilidade de ter uma recuperação completa? Quanto tempo irá durar?
Com que frequência terei de fazer exames médicos?

http://www.roche.pt/sites-tematicos/infocancro/index.cfm/tipos/leucemia/leucemia-metodos-de-tratamento/

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quarta-feira, 30 de março de 2011

A LEUCEMIA

A LEUCEMIA é um tipo de cancro que tem início nas células do sangue. Iremos abordar causas possíveis, sintomas, diagnóstico, tratamento e cuidados de acompanhamento. Através desta informação sobre a leucemia pretendemos, também, ajudar as pessoas com leucemia e suas famílias, a lidar com a doença. O conhecimento acerca da leucemia tem vindo a aumentar, devido à investigação; continuam a ser estudadas as suas causas e a ser investigados novos processos de tratamento para esta doença. Graças à investigação contínua, adultos e crianças com leucemia podem esperar uma melhor qualidade de vida, e menor probabilidade de morrer desta doença. O QUE É A LEUCEMIA? Normalmente, as células crescem e dividem-se para formar novas células, conforme o organismo delas necessita. Quando as células envelhecem, morrem e novas células tomam o seu lugar. Por vezes, este processo ordeiro corre mal. Formam-se novas células quando o organismo não precisa delas, e as células velhas não morrem, quando deviam. A leucemia é um cancro que tem início nas células do sangue. CÉLULAS DO SANGUE NORMAIS As células do sangue formam-se na medula óssea. A medula óssea é a substância mole que existe no interior dos ossos. As células do sangue, quando imaturas, chamam-se células estaminais. A maioria das células sanguíneas, amadurecem (maturam) na medula óssea e seguem, depois, para os vasos sanguíneos. O sangue que corre através dos vasos sanguíneos e do coração, chama-se sangue periférico. A medula óssea produz diferentes tipos de células sanguíneas. Cada tipo tem uma função especial: As células sanguíneas brancas (glóbulos brancos) ajudam a combater as infecções. As células sanguíneas vermelhas (glóbulos vermelhos) transportam oxigénio para os tecidos, através de todo o organismo. As plaquetas ajudam à formação dos coágulos sanguíneos, que controlam as hemorragias. CÉLULAS DE LEUCEMIA Nas pessoas com leucemia, a medula óssea produz glóbulos brancos anómalos; estas células anómalas são células de leucemia. No início, as células de leucemia funcionam quase normalmente. Com o tempo, ultrapassam, em número, os glóbulos brancos, os glóbulos vermelhos e as plaquetas. Torna-se, assim, difícil o sangue conseguir realizar a sua função.

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Artigos de Leucemia

Leucemia é o nome dado a cânceres no sangue. Ocorre quando a medula óssea produz grande quantidade de células brancas diminuindo assim a produção das células vermelhas e plaquetas. Com a produção exagerada de células brancas, estas não conseguem atingir a maturidade e adoecem impedindo que suas funções sejam desempenhadas normalmente. Tais alterações provocam anemia, infecções, hemorragias e manchas no organismo, pois os glóbulos vermelhos que levam o oxigênio por todo o corpo, os glóbulos brancos que combatem vírus e bactérias e as plaquetas que auxiliam na coagulação do sangue não mais desempenham suas funções adequadamente. Pode ser linfóide, quando as células anormais afetam os linfócitos, e mielóide, quando as células anormais afetam as células mielóides. Ainda pode ser classificada como aguda, quando há o crescimento quantitativo de células sanguíneas imaturas, e crônica quando há o crescimento quantitativo de células sanguíneas maduras e anormais. Apesar de não se conhecer as causas que originam a leucemia, acredita-se que pode haver ligações genéticas, radiação, poluição, falhas no sistema imunológico e outros. As células anormais presentes no sangue podem se impregnar em outros tecidos como nos rins, amígdalas, baço, linfonodos, sistema nervoso central e outros. Nesse período aparecem algumas manifestações clínicas como palidez, tontura, anorexia, cansaço, sonolência, hematomas, sangramento nasal, infecções, afta, febre, sudorese, dor nos ossos e articulações, etc. Tais sintomas aparecem de forma isolada ou não, mas a partir destas manifestações é que será feito o diagnóstico por meio de hemograma, mielograma, punção lombar ou citometria de fluxo. O tratamento é variável de acordo com a classificação da doença, mas independente de como é feito, busca destruir as células anormais a fim de que a medula óssea consiga produzir novamente células normais. Podem-se utilizar transfusões e quimioterapia isolada ou associada à terapia ortomolecular ou naturopática.
Por Gabriela Cabral
Equipe Brasil Escola

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terça-feira, 29 de março de 2011

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